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Como priorizar tech debt com o PM

Dívida técnica quase nunca entra na fila sozinha. Ela precisa ser traduzida em risco, custo e impacto para virar decisão compartilhada.

Andrews Ribeiro

Andrews Ribeiro

Founder & Engineer

O problema

Muita conversa sobre tech debt dá errado antes mesmo da decisão começar.

Engenharia fala:

  • “isso precisa ser refeito”
  • “essa base está horrível”
  • “não dá para continuar assim”

Produto ou PM escuta:

  • “vocês querem parar entrega”
  • “isso não gera valor agora”
  • “estão tentando empurrar refactor infinito”

E pronto.

A conversa vira disputa de agenda em vez de decisão de risco.

Modelo mental

Pensa assim:

dívida técnica só entra na fila direito quando deixa de ser incômodo interno e vira custo explícito para o produto.

Esse custo pode aparecer como:

  • bug recorrente
  • lentidão para entregar
  • risco operacional
  • retrabalho toda sprint
  • bloqueio para iniciativa importante

Sem essa tradução, a conversa tende a soar moral:

  • “o código está feio”
  • “isso não é sustentável”

E isso raramente prioriza sozinho.

Quebrando o problema

Nem todo incômodo técnico é dívida técnica relevante

Esse filtro importa.

Tem coisa que é:

  • código feio, mas estável
  • padrão inconsistente, mas barato de manter
  • detalhe arquitetural que irrita, mas não dói no negócio

E tem coisa que já virou cobrança real:

  • mexer numa tela quebra outra
  • deploy nessa área é sempre arriscado
  • mudança pequena demora dias por acoplamento
  • incidente sempre volta no mesmo módulo

O segundo grupo merece conversa séria de prioridade.

Produto responde melhor a impacto do que a abstração

Em vez de:

  • “precisamos refatorar o módulo”

costuma funcionar melhor:

  • “esse módulo está consumindo dois dias extras por entrega e concentrando falha em rollback”
  • “se essa parte continuar assim, a iniciativa X vai sair mais lenta e com mais risco”

Você não está simplificando demais.

Está traduzindo.

Dívida técnica grande quase sempre precisa de recorte

Pedido amplo demais costuma perder a disputa.

Algo como:

  • “reescrever o fluxo todo”

é difícil de comprar.

Algo como:

  • “isolar cálculo de desconto para parar regressão recorrente em campanha”

fica mais negociável.

A melhor discussão não é feature vs debt

Na prática, quase nunca é uma guerra pura entre:

  • entregar valor
  • cuidar da base

O enquadramento melhor costuma ser:

  • que parte da base precisa melhorar para manter entrega saudável?
  • qual dívida já está cobrando caro demais?
  • qual pedaço reduz risco ou custo sem abrir obra infinita?

Exemplo simples

Imagine um checkout em que toda campanha promocional vira tensão.

Resposta fraca de engenharia:

precisamos refatorar tudo porque o código está muito ruim.

Resposta melhor:

Hoje cada campanha nova mexe no mesmo bloco de desconto e costuma gerar regressão em recibo ou cálculo final. Em vez de pedir reescrita total, eu priorizaria isolar essa regra em um corte menor. Isso reduz risco recorrente e evita que a próxima campanha custe dias extras de validação manual.

Agora a conversa saiu de “feiúra técnica” e virou:

  • custo recorrente
  • risco conhecido
  • corte negociável

Erros comuns

  • Chamar qualquer desconforto técnico de dívida prioritária.
  • Defender refactor total sem recorte.
  • Falar de arquitetura sem traduzir impacto.
  • Tratar PM como obstáculo moral à qualidade.
  • Usar dívida técnica como justificativa genérica para desacelerar tudo.

Como um senior pensa

Quem está mais maduro normalmente faz duas separações importantes:

  • o que é dor estética vs dor operacional
  • o que precisa de obra grande vs corte menor e útil

Também costuma entrar na conversa com tradução pronta:

  • risco que fica se nada mudar
  • ganho concreto do corte proposto
  • custo de oportunidade

Isso melhora bastante a aliança com produto porque a decisão deixa de parecer tribal.

O que o entrevistador quer ver

Quando esse tema aparece em entrevista, o avaliador costuma procurar:

  • capacidade de priorizar dívida com critério
  • tradução de impacto técnico para impacto de negócio
  • maturidade para negociar com PM sem cinismo
  • noção de recorte em vez de reforma infinita

Uma resposta forte costuma soar assim:

Eu tento não defender tech debt como conceito abstrato. Primeiro separo o que é desconforto técnico do que já virou custo real de entrega, risco ou bug recorrente. Depois traduzo isso para impacto que produto consegue avaliar e proponho um corte menor, negociável, em vez de pedir reescrita total. Assim a conversa vira decisão compartilhada, não guerra entre engenharia e PM.

Dívida técnica mal explicada parece capricho. Dívida técnica bem explicada parece proteção da capacidade futura do produto.

Resumo rápido

O que vale manter na cabeça

Checklist de pratica

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