28 de Abril de 2025
Taxonomia de eventos
Como organizar nomes, convenções e propriedades de eventos sem transformar analytics em burocracia que ninguém consegue manter.
Andrews Ribeiro
Founder & Engineer
4 min Intermediario Pensamento
O problema
Depois que a equipe percebe que tracking caótico dói, costuma cair em outro exagero.
Alguém cria:
- uma planilha enorme
- cinquenta colunas
- convenções demais
- revisão demais
Em tese, isso traria ordem.
Na prática, costuma trazer abandono.
Porque ninguém aguenta manter uma burocracia maior do que o problema original.
Modelo mental
Taxonomia de eventos deveria funcionar como convenção de código.
Ou seja:
- simples o suficiente para ser usada
- forte o suficiente para evitar bagunça
Se ela não muda comportamento real do time, ela não é sistema.
É arquivo morto.
Quebrando o problema
O mínimo que precisa estar padronizado
Você não precisa padronizar tudo.
Mas precisa padronizar o suficiente para evitar ambiguidade nos pontos centrais:
- formato do nome do evento
- verbos aceitos
- propriedades comuns
- convenção para erro, tentativa e sucesso
Esse núcleo já reduz muito ruído.
Evento canônico vale mais do que microvariação local
Muita bagunça nasce quando cada tela cria seu próprio dialeto.
Exemplo:
signup_startedstart_signupregister_beginregistration_started
Quase sempre o produto quer medir a mesma coisa.
Taxonomia forte tenta convergir para poucos nomes canônicos.
Isso não é preciosismo.
É o que permite comparar jornadas depois.
Propriedade compartilhada também faz parte da taxonomia
Tem equipe que só pensa em nome do evento.
Mas boa parte do caos mora nas propriedades.
Exemplos de campos que costumam se beneficiar de convenção:
sourceplan_typeplatformerror_codevariant
Se cada evento chama a mesma ideia de um jeito diferente, o problema continua.
A documentação precisa ser operacional
Documentação útil de taxonomia geralmente responde rápido:
- o que este evento significa?
- quando dispara?
- quais propriedades são esperadas?
- existe evento canônico parecido?
Se o documento parece tese e não manual de uso rápido, ele vai envelhecer mal.
Evolução precisa de regra de mudança
Sem isso, o time só empilha versões:
checkout_startedcheckout_started_v2checkout_started_new
Isso é sintoma de que ninguém combinou como evoluir contrato.
Às vezes a resposta certa é:
- manter o mesmo evento
- ajustar propriedade
- versionar conscientemente
- deprecar o antigo
O importante é não transformar histórico em escavação arqueológica.
Exemplo simples
Imagine a área de busca do produto.
Sem taxonomia:
searchedsearch_doneresult_clickopen_resultsearch_error_screen
Com taxonomia mínima:
search_submittedsearch_results_loadedsearch_result_openedsearch_failed
Propriedades comuns:
query_lengthsourceresults_counterror_codequando houver
Isso já resolve muito.
Sem planilha gigante.
O que normalmente dá errado
- Criar taxonomia tão detalhada que ninguém segue.
- Ignorar propriedade compartilhada e focar só no nome do evento.
- Permitir sinônimos demais para o mesmo comportamento.
- Não tratar mudança de semântica como mudança de contrato.
- Usar sufixo
_v2como solução permanente. - Centralizar revisão a ponto de o time começar a evitar instrumentação.
Como alguém mais sênior pensa
Uma pessoa mais madura tenta proteger duas coisas ao mesmo tempo:
- consistência
- velocidade de uso
Se só protege consistência, vira processo pesado.
Se só protege velocidade, vira bagunça.
O ponto bom costuma ser:
- poucas regras
- exemplos claros
- nomes canônicos
- documentação curta
- evolução consciente
Ângulo de entrevista
Isso pode aparecer em perguntas como:
- “como você manteria consistência nos eventos?”
- “como evitaria cada time instrumentar de um jeito?”
- “como organizaria tracking em produto grande?”
O avaliador quer ver se você:
- pensa em contrato
- entende custo operacional da padronização
- evita tanto caos quanto burocracia
Resposta fraca:
eu faria uma planilha com todos os eventos e padronizaria os nomes.
Resposta forte:
eu definiria uma convenção mínima de nomes e propriedades comuns, com poucos eventos canônicos por jornada. A documentação precisa ser curta e operacional, porque se o sistema for pesado demais o time vai contornar e a consistência some de novo.
Fechando
Taxonomia boa não chama atenção.
Ela só faz o tracking continuar legível daqui a seis meses.
Se para entender o dado você precisa de uma pessoa veterana traduzindo tudo, a taxonomia falhou.
E se para registrar um evento novo a equipe precisa abrir um ritual burocrático, ela também falhou.
O meio-termo é o que dura.
Resumo rápido
O que vale manter na cabeça
- Taxonomia boa reduz ambiguidade sem virar sistema paralelo impossível de manter.
- O objetivo não é catalogar tudo; é garantir consistência suficiente para o dado continuar legível.
- Se a convenção é tão pesada que o time dribla, ela já falhou.
- Nomes, propriedades comuns e poucos eventos canônicos resolvem mais do que documentação gigantesca.
Checklist de pratica
Use isto ao responder
- Temos regra mínima de nome e propriedades comuns?
- Consigo saber se dois eventos representam o mesmo comportamento ou não?
- A documentação está leve o bastante para continuar sendo atualizada?
- Quando algo muda, tratamos isso como evolução de contrato ou só vamos empilhando variações?
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